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LABORMED REALIZARÁ NOVA TURMA PARA CURSO DA CIPA
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01/03/2010

Etanol: perspectivas e desafios

 

O mercado do etanol brasileiro teve uma excelente notícia neste inicio de 2010, que foi a decisão da Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA - U.S. Environmental Protection Agency), que no dia 03 de fevereiro, lançou a revisão do “Padrão Nacional para os Combustíveis Renováveis” (National Renewable Fuel Standard), mais conhecido pela sigla RFS2, conforme previsto no Energy Independence and Security Act of 2007 (EISA), através da qual, com toda e merecida justiça, classificou o etanol brasileiro produzido a partir da cana-de-açúcar como “combustível avançado”.

Para quem não é do ramo, é bom esclarecer que, para um combustível seja considerado "avançado" ele tem que reduzir a emissão de dióxido de carbono (CO2) em pelo menos 40% em relação à gasolina. A partir dos critérios adotados pela EPA, o etanol brasileiro reduz a emissão de CO2 em 61% comparado à gasolina (alguns especialistas do setor afirmam que esse número passa dos 70%). Para que se tenha uma ideia da eficiência do nosso biocombustível, o etanol produzido a partir do milho reduz somente 21% comparado à gasolina. Ou seja, se alguém ainda tinha alguma dúvida a respeito da eficiência do nosso etanol, agora já não tem motivos para torcer o nariz e fazer ilações a respeito de suas qualidades ambientais.

Nesse sentido, temos que reconhecer o enorme empenho da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), que trabalhou com firmeza e determinação para que conseguíssemos essa enorme vitória, pois a decisão da EPA, em curto prazo, abre um enorme e seguro mercado com potencial para a exportação acima de 15 bilhões de litros anuais.

No entanto, essa importantíssima vitória não é a panacéia para todos os problemas, pois ainda temos que vencer, entre outros, quatro grandes desafios. O primeiro, que considero o mais importante, é garantir, durante a entressafra, o preço do etanol de tal forma que o mesmo seja competitivo com a gasolina. Esse assunto é recorrente, e o consumidor que confiou no preço baixo do etanol e comprou o veículo flex se vê obrigado a abastecer o carro com gasolina, poluente e cara.

Discute-se, há anos, a formação de um estoque regulador para ser usado durante a entressafra, mas, iniciado o novo período de safra e de produção abundante, o assunto volta para o esquecimento. O Brasil conta hoje com quase quinhentas usinas sucroalcooleiras que moem mais de 600 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano, e que exportou cinco bilhões de litros de etanol em 2008 e outros 2,3 bilhões de litros até agosto de 2009 (fonte: UNICA); portanto não é aceitável que se diminua a oferta durante a entressafra. Nesta ultima década, o mercado sucroalcooleiro deu um enorme salto de eficiência, em todos os sentidos e, se quer usufruir das vantagens que se abrem a nível mundial, é preciso, primeiro, cuidar do consumidor brasileiro. Essa é a lógica do mercado, além do que o consumo interno de etanol vai dobrar nos próximos anos.

O segundo desafio, não obstante as qualidades já conhecidas, é a padronização internacional do etanol, sem a qual o mesmo nunca conquistará os fabricantes e consumidores globais; afinal, a boa governança indica a diversificação de mercados.

O terceiro desafio é a nossa crônica e debilitada infraestrutura como um todo. Como vamos exportar 15, 30 bilhões de litros de etanol por ano, se não temos um sistema ferroviário (rápido) e alcooldutos que partem dos centros produtores? Como será a logística nos portos que estão totalmente despreparados para tais volumes e que praticam uma das mais altas tarifas? Se a iniciativa privada ficar esperando decisões governamentais e não resolver os problemas de infraestrutura por sua própria conta, o Brasil corre o sério risco de ser ultrapassado por outros produtores de cana-de-açúcar e etanol e perder um fenomenal mercado para o seu eficiente biocombustível. E aí, o que faremos com o excedente?

O quarto desafio cuja solução, acredito, virá a curto prazo, será a eliminação por parte das autoridades, inclusive do Brasil, das tarifas de importação. No caso americano, US$ 0,54 por galão acrescido de 2,5% “ad valorem”, na União Européia, 19 centavos de euro por litro e do lado brasileiro, o percentual de 20%. Como bem disse Marcos Sawaya Jank, presidente da UNICA (O Estado de S. Paulo, 22/01/10): “O pleito do livre-comércio não funciona em mão única. Se somos os mais competitivos do mundo, por que não dar o bom exemplo que nos credencia a pleitear a abertura do mercado americano, de longe o principal mercado consumidor da atualidade?”

Fonte: Jornal do Brasil

 
 
 
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