Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, e de Lojas de Conveniência, e de Empresas de Lava-Rápido e de Empresas de Estacionamento de Santos e Região – Sindicombustíveis Resan.

Postos & ServiçosA hora do PIX


Novo sistema ainda traz dúvidas e tem deixado empresários em compasso de espera.

DEZ 8, 2020

Texto publicado na Revista Postos & Serviços de novembro de 2020.

A chegada do PIX no varejo promete modificar, ao longo dos próximos meses, a forma como empresas e consumidores
se relacionam na hora do pagamento. Autorizado para uso desde o dia 16 de novembro, o novo sistema de transferência
bancária, no entanto, ainda traz muitas dúvidas e tem deixado empresários em compasso de espera.

” A sugestão é que todos se preparem, porque como já foi visto em outros países há alguns anos, o PIX vem para ficar e tende efetivamente a ser muito utilizado pelos clientes. Pelo que está desenhado, o PIX será simples, então pode se tornar popular”, afirma o vice-presidente e conselheiro do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV).

“Além de reduzir o dinheiro (em espécie) que hoje temos em circulação no Brasil, o PIX vai permitir, em alguns meses, também o pagamento de contas de consumo. Então as lojas que quiserem poderão oferecer saque, por exemplo, levando
um público maior às lojas, o que naturalmente aumenta o fluxo de clientes e de vendas.

Gonçalves explica que as empresas de maior porte, que têm uma área de tecnologia própria, devem sair na frente para fazer esse link de pagamento com o Banco Central. “Já os estabelecimentos menores precisam conversar com as empresas de tecnologia que cuidam da frente de caixa das lojas (aquelas que trabalham com a parte eletrônica no ponto de venda, como a Linx, por exemplo). Essas empresas de tecnologia farão o link com o Banco Central”, explica Gonçalves.

O pagamento utilizando o novo meio será muito similar a como hoje o consumidor já faz a leitura do código de barras de um boleto pela câmera do celular no aplicativo do banco. O código de barras será pelo formato de QR code.
Mas a adaptação será crescente. O que foi observado em outros países é que, em alguns anos, o PIX passou a significar 20% do total de transações em débito e dinheiro viraram PIX.

“É simples, não existe complexidade, e as empresas do setor já estão prontas para fazer essa adaptação nos pontos de varejo. Milhões de pessoas já se cadastraram no PIX, então isso levará o varejista a ser mais rápido na sua adaptação, pois se um consumidor chegar ao estabelecimento e só tiver o PIX como meio de pagamento, ele vai perder a venda. É claro que agora estamos no final de ano, há outras prioridades, mas para 2021 acreditamos que haverá um crescimento muito grande”, acredita ele.

Gerente da Rede Dutra, com postos localizados em Mongaguá e Itanhaém, no Litoral Sul de São Paulo, Bruno Bayardo, pretende investir na implementação do PIX nos postos após a temporada de fim de ano. “Estamos ainda em compasso de espera. Com a chegada da temporada de fim de ano, o movimento tende a aumentar e começar a testar algo novo pode nos atrapalhar. Então provavelmente veremos como funciona mais para frente”.

Daniel Laureu Morais, proprietário do Auto Posto Oceano Atlântico, em Santos, também está em compasso de espera. “Estamos só aguardando a empresa de sistemas elaborar um campo para esse tipo de pagamento”.

Já o caso de Bruno Diogo, sócio proprietário do Auto Posto DiMonaco, em Praia Grande é diferente. “Já fizemos o cadastro da chave da PIX, mas ainda não utilizamos, pois não houve interesse por parte de cliente até agora”.

Taxas e custos
Para o varejista, uma grande vantagem do PIX é a questão das taxas (que irão concorrer com as taxas do cartão), que poderá ser fixa por transação. Hoje, o varejista paga uma taxa de aproximadamente 1% para os pagamentos feitos no débito. Então, por exemplo, se ele faz uma venda no débito de R$ 100 reais, ele vai pagar à operação do cartão R$ 1,00. Com o PIX, esperamos que cada transação saia ao custo de R$ 0,20.

"É novidade fazer transação com taxa fixa no Brasil, mas na Europa e nos Estados Unidos isso é bem antigo. Para nós será uma mudança forte, mas é comum e normal no resto do mundo”, afirma o vice-presidente do IDV, Jorge Gonçalves.
Para a implantação, Gonçalves afirma que haverá um custo de adaptação aos estabelecimentos. “É importante a empresa entre em contato com os bancos e financeiras com que tem relacionamento para ver como isso pode ser compensado. Por que o ganho na redução da taxa será grande e compensará fortemente. E a transação será muito simples. Esse gasto será compensado ao longo do tempo com a redução de despesa financeiras.”
O PIX, que vai funcionar sete dias da semana, 24 horas por dia, terá ainda a vantagem de compensação instantânea. “O dinheiro cairá na conta imediatamente (a promessa é que entre na conta em 10 segundos)”, afirma o vice-presidente do IDV, que completa: “Numa segunda fase
(no final de 2021), o PIX virá também com a opção de agendamento e parcelamento, substituindo também o cartão de crédito. Daí o ganho será ainda maior, pois a taxa do cartão de crédito é maior. É preciso estar preparado.”


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