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CoronavírusGoverno apresenta lista com setores mais prejudicados pela pandemia


O governo publicou uma portaria que lista as 34 atividades econômicas mais prejudicadas no Brasil pela decretação do estado de calamidade pública devido à covid-19. A lista foi feita para priorizar e orientar as instituições financeiras oficiais de fomento na concessão de crédito.

SET 23, 2020

Fonte: O Estado de S. Paulo

Depois de quase sete meses do início da pandemia, o governo publicou agora uma portaria que lista as 34 atividades econômicas mais prejudicadas no Brasil pela decretação do estado de calamidade pública devido à covid-19. Elaborada pelo Ministério da Economia, a lista foi feita para priorizar e orientar as instituições financeiras oficiais de fomento, inclusive regionais, na concessão de crédito.

O governo diz que a lista é para orientar o Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac), mas o “carimbo” do Ministério da Economia reconhecendo as atividades mais prejudicadas animou as empresas de setores que foram incluídos oficialmente no levantamento de olho em políticas futuras da equipe econômica para a retomada da economia em 2021.

Apesar de ter começado a fluir no último mês, o crédito ainda é um dos principais problemas no enfrentamento da covid-19 pela dificuldade das empresas em dar garantia ao financiamento. A lista facilita o acesso a crédito com garantia da União via Fundo Garantidor para Investimentos (FGI).

Desde o início da pandemia o governo contabiliza que lançou uma série de linhas de crédito voltadas para toda a economia. Até o momento, do total das ações anunciadas, 622 mil empresas foram atendidas e R$ 85,86 bilhões de crédito já chegou na ponta, segundo os dados oficiais.

Entre os setores mais impactados estão as atividades da indústria, comércio e serviços, como empresas de saúde e educação privadas, transporte, serviços de alimentação e alojamento, fabricação de veículos automotores, combustíveis e lubrificantes e metalurgia, além de exploração de petróleo.

Segundo o Ministério da Economia, a lista foi elaborada com base na variação do faturamento do setor com dados da Receita Federal. Não foram fornecidos detalhes pedidos pela reportagem do Estadão de como a lista será usada para a liberação do crédito e como ficam as empresas que estão de fora.

A Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade informou apenas que foram consideradas a relevância do setor na economia, tanto por valor agregado produzido quanto por pessoal ocupado, e as particularidades de cada atividade econômica.

Faturamento. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit), Fernando Pimentel, avalia que a lista facilitará a concessão de crédito para as empresas com faturamento além de R$ 300 milhões. Pela regra, elas não podem obter empréstimos com a garantia do Tesouro porque tiveram impactos severos com a crise. “Para os setores extremamente impactados pela crise, como os listados, esse financiamento pode ser dado para empresas que faturem acima de R$ 300 milhões”. Pimentel considera que a lista traz uma boa radiografia da crise. O setor têxtil e de confecções teve de interromper as atividades por 90 dias no início da pandemia e até hoje ainda sente o impacto.

O economista Marcos Ferrari, presidente executivo do Sinditelebrasil, disse que a inclusão das telecomunicações torna mais “sensível” os pedidos de medidas de apoio à expansão da banda larga. “Caso tenha outra medida, o setor pode ser contemplado.”

O advogado tributarista Luiz Bichara avaliou que, embora a lista não gere nenhum direito adquirido, a União não poderá indicar “algo e não cumprir”. “É o princípio da confiança legítima”, disse. Segundo ele, a publicação da portaria cria expectativa de atuação estatal no sentido da implementação de políticas públicas concretas visando a recuperação econômica.

O vice-presidente da Confederação Nacional dos Serviços (CNS), Luigi Nese, alerta que existem muitas empresas que ainda estão prejudicadas pela falta de crédito. Para ele, o Pronampe, programa com garantia do Tesouro, funcionou bem, mas os recursos acabaram. Ele cobra mais recursos com garantia. “O governo prometeu mais R$ 19 bilhões e ainda não vieram.”

 

OS MAIS ATINGIDOS

1- Atividades artísticas, criativas e de espetáculos

2- transporte aéreo

3 - transporte ferroviário e metroferroviário de passageiros

4- transporte interestadual e intermunicipal de passageiros

5- transporte público urbano 6- serviços de alojamento 7 - serviços de alimentação

8- fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias

9 - fabricação de calçados e de artefatos de couro

10 - comércio de veículos, peças e motocicletas

11 - tecidos, artigos de armarinho, vestuário e calçados

12 - edição e edição integrada à impressão

13 - combustíveis e lubrificantes

14 - fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores

15 - extração de petróleo e gás, inclusive as atividades de apoio

16- confecção de artefatos do vestuário e acessórios

17- comércio de artigos usados

18 - energia elétrica, gás natural e outras utilidades

19 - fabricação de produtos têxteis

20- educação privada

21 - organizações associativas e outros serviços pessoais

22- fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis

23 - impressão e reprodução de gravações

24 - telecomunicações

25- aluguéis não-imobiliários e gestão de ativos de propriedade intelectual

26 - metalurgia

27- transporte de cargas (exceto ferrovias)

28 - fabricação de produtos de borracha e de material plástico

29- fabricação de máquinas e equipamentos, instalações e manutenções

30- atividades de TV, rádio, cinema e gravação/edição de som e imagem

31 - saúde privada

32 - fabricação de celulose, papel e produtos de papel

33 - fabricação de móveis

34 - comércio de outros produtos em lojas especializadas


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