Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, e de Lojas de Conveniência, e de Empresas de Lava-Rápido e de Empresas de Estacionamento de Santos e Região – Sindicombustíveis Resan.

PetróleoO coronavírus contaminou o petróleo, escrevem Adriano Pires e Pedro Rodrigues


O mundo virou de cabeça para baixo. Além do coronavírus que vem afetando a economia global e principalmente o dia a dia da nossa sociedade, outro evento movimentou tanto ou mais os mercados financeiros e o mundo. A queda abrupta do preço do barril do petróleo.

MAR 17, 2020

Fonte: Poder 360
 

O mundo virou de cabeça para baixo. Além do coronavírus que vem afetando a economia global e principalmente o dia a dia da nossa sociedade, outro evento movimentou tanto ou mais os mercados financeiros e o mundo. A queda abrupta do preço do barril do petróleo em razão da disputa política entre o presidente Vladimir Putin e o príncipe saudita Mohamed Bin Salman. Mas por que será que isso aconteceu, qual o papel desses países no jogo global do petróleo? Como essa queda de preços pode afetar o Brasil, o mundo e nosso cotidiano?

Aos primeiros sinais do coronavírus, o mundo passou a direcionar todos os olhares para a China. A China hoje é a fábrica do mundo e o principal importador de petróleo. Um país movido a combustíveis fósseis, carvão, petróleo e gás natural. Com a evolução do surto, a preocupação com a economia chinesa se ampliou, bem como os possíveis impactos nos demais países da Ásia, e nos mercados dos demais países do mundo. A epidemia que está causando grande agitação nos mercados acabou contaminando o mercado de petróleo.

O mundo já vinha, desde o ano passado, experimentando uma desaceleração econômica. E a chegada do coronavírus provocou uma queda ainda maior no crescimento econômico mundial. Quando o mundo para de crescer, necessariamente o consumo do petróleo e dos derivados diminui. Menos demanda por petróleo com a mesma oferta, o preço do produto cai!

Vendo essa diminuição de preços se aproximar, a Opep, cartel formado por alguns países exportadores de petróleo (Argélia, Congo, Gabão, Angola, Guiné Equatorial, Irã, Iraque, Kwiait, Líbia, Nigéria, Venezuela, Emirados Árabes Unidos, liderados pela Arábia Saudita) mais a Rússia (grupo conhecido como Opep+), reuniram-se para chegar a um acordo sobre promover um corte na produção de petróleo. Com o corte da oferta, o preço tenderia a se manter em um patamar mais alto.

Os casos mais marcantes de intervenção da Opep no mercado de petróleo na história foram em 1973 e 1979, anos conhecidos pelos 1º e 2º choques do petróleo. Nesses eventos os países-membros da Opep conseguiram através do corte na oferta quadruplicar em 1973 e duplicar em 1979 o preço do barril de petróleo. De lá para cá, o cartel da Opep vem perdendo força e poder. Daí a ideia de criar a Opep+ com a presença da Rússia, que é o 2º maior exportador e o 3º maior produtor de petróleo do mundo.

Mas porque a Opep perdeu importância na determinação de cotas de produção e de preços no mercado de óleo? Existem alguns fatores para isso ter acontecido, mas 2 são os principais. O 1º deles é uma menor importância dos países-membros no volume total da produção mundial de petróleo. Hoje os membros da Opep representam 42% do total da produção mundial, enquanto na década de 1970 esse número chegava a 55%.

O 2º fator é a diferença socioeconômica entre os países-membros. Como a situação social e econômica da Venezuela é diferente da Nigéria, que é diferente da Arábia Saudita, coordenar qualquer ação entre esses países passa a ser uma tarefa cada vez mais complicada. Acertar cotas de produção nesse contexto dispare dos países-membros é uma tarefa quase impossível.

Existem boatos de que depois de acertar cotas, alguns países rompem o acordo por meio da venda no mercado paralelo. A Arábia Saudita, 2ª maior produtora, 1ª exportadora de petróleo e líder do cartel, não conseguiu dessa vez convencer todos os membros para o corte da oferta. E o pior, também dentro da chamada Opep+ entrou em conflito com a Rússia.

A Rússia não aceitou o corte de 1,5 milhão de barris/dia proposto. Os sauditas dobraram a aposta, dando início a uma guerra de preços. Os sauditas entraram na guerra aumentando a produção no limite de 12 milhões de barris/dia e a reação do mercado foi uma queda de 30% do preço do petróleo. O barril chegou a menos de US$ 35, tendo bancos afirmando que poderia chegar aos US$ 20. Isso somado à crise econômica, turbinada pelo coronavírus, enlouqueceu os mercados e promoveu um banho de sangue com quedas nunca antes vista nas diversas bolsas mundiais.

Quais são as consequências e para onde vamos?

O fato é que as consequências ainda são muito incertas. Até o momento, o que se pode ver é uma total desorganização dos mercados financeiros e produtivos alcançando custos tão gigantes e sem precedentes, tornando impossível prever qualquer resultado. Ainda estamos distantes de responder qual será o novo patamar de preço do petróleo e quanto tempo teremos de crise econômica. Sem falar de quando chegará a vacina do coronavírus.

Ou seja, muitas dúvidas e poucas certezas. As duas únicas certezas é que esse clima de histeria e de pânico, somando a falta de lideranças mundiais que acalmem os mercados e a sociedade, está levando à criação do vírus econômico, um vírus com consequências maiores do que o coronavírus. Esse vírus econômico já está promovendo uma crise sem precedentes e que irá causar estragos na economia mundial de maiores proporções, exigindo prazos mais longos de recuperação do que os provocados pelo coronavírus.

A outra certeza é que o petróleo continua sendo a principal fonte de energia do mundo e que o comportamento do seu preço ainda determina para onde caminha a economia. No final do dia, estamos vivendo mais uma crise do petróleo diferente de todas as outras na história. Dessa vez uma superoferta, com queda na demanda.


Comentários

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas