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CombustíveisPetrobras segura preço de combustível

SET 17, 2019

O presidente Bolsonaro afirmou que o aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, após ataques à Arábia Saudita, é “atípico” e não deve durar. Ele conversou com o presidente da Petrobras, Castello Branco, que o informou de que não haverá reajuste imediato dos combustíveis.

O Globo 
 

17/09/2019 – O presidente Bolsonaro afirmou que o aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, após ataques à Arábia Saudita, é “atípico” e não deve durar. Ele conversou com o presidente da Petrobras, Castello Branco, que o informou de que não haverá reajuste imediato dos combustíveis. A estatal aguardará alguns dias antes de decidir, em cenário desafiador: terá de provar independência na política de preços e também evitar reações de caminhoneiros. Para analistas, se a cotação do barril chegar a US$ 70, a gasolina e o diesel podem subir de 8% a 10%. O diretor da ANP, Décio Oddone, comparou o ataque, que provocou a maior queda de produção de petróleo já registrada, aos atentatos terroristas de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos. O presidente Trump disse que os EUA “estão com armas preparadas” para responder e sugeriu que o Irã estaria por trás da agressão, ma sindicou querer evitar um conflito. Teerã nega participação.

Os atentados às instalações da petrolífera Saudi Aramco, na Arábia Saudita, no sábado, provocaram a maior alta do petróleo em três décadas. Os ataques levaram à suspensão de metade da produção do país, ou 5,7 milhões de barris por dia, o equivalente a 5% do volume produzido globalmente, a maior interrupção da História. Mas, apesar da disparada na cotação do petróleo, a Petrobras decidiu que não vai reajustar os preços dos combustíveis neste momento, o que foi confirmado pelo presidente Jair Bolsonaro.

A cotação do barril de petróleo tipo Brent, referência internacional, teve a maior alta percentual desde 1988. O contrato para novembro fechou com valorização de 14,61%, a US$ 69,02. Já o barril do WTI, negociado em Nova York, saltou 14,7%, a US$ 62,90, a maior alta desde dezembro de 2008.

Cartão Caminhoneiro

Em uma entrevista para a TV Record, à noite, Bolsonaro assegurou que a Petrobras não vai mexer no preço dos combustíveis no país:

—A tendência natural é seguir o preço internacional que vem da refinaria para a bomba. O governo federal já zerou os impostos da Cide e não podemos exigir nada de governadores no tocante a ICMS. Conversei agora há pouco com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e, como é algo atípico, ele não deve mexer no preço do combustível.

Bolsonaro ainda mandou um recado aos caminhoneiros, mencionando o Cartão Caminhoneiro:

—Com esse cartão, lançado há poucos dias, ele pode chegar no posto e comprar X litros de óleo diesel, e por 30 dias esse preço estará garantido para ele.

Segundo uma fonte, a Petrobras vai aguardar a evolução dos preços no mercado internacional para tomar qualquer tipo de decisão:

— A companhia vai aguardar

a volatilidade dos preços e tomar uma decisão. A estatal tem mecanismos de proteção, com a sua política de hedge. Além disso, o preço do barril fechou a US$ 69. Por isso, não há nada que justifique ainda um aumento.

Uma possível alta nos preços dos combustíveis preocupa o governo por causa da reação imprevisível dos caminhoneiros. O governo não sabe como a categoria receberia um aumento repentino no valor do diesel e teme a “fúria” dos motoristas.

Em maio, o anúncio de que a Petrobras iria reajustar o preço do óleo diesel irritou os caminhoneiros, que ameaçaram fazer um anova paralisação nacional.

Naquela ocasião, um acordo costurado pelo Ministério da Infraestrutura estabeleceu que o custo do diesel seria repassado para a tabela do frete sempre que o combustível subir mais que 10%.

Agora, o governo conta com esse gatilho para conter uma eventual insatisfação da categoria.

O Ministério da Economia informou, em nota, que está acompanhando os desdobramentos do ataque e “analisando seus impactos no mercado internacional e na economia doméstica.”

Em uma rede social, o diretor-geral da Agência Nacional

do Petróleo (ANP), Décio Oddone, comparou os ataques na Arábia Saudita ao atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, em Nova York.

“Do ponto de vista do risco, o evento de sábado pode ser considerado uma espécie de 9/11 (ataque às Torres Gêmeas) do mercado do petróleo. Depois dele, a sensação de risco aumentará”, afirmou Oddone, acrescentando que as petrolíferas, agora, terão de se preocupar com a segurança de suas instalações.

Os ataques derrubaram os principais mercados acionários globais. Em Nova York, o índice Dow Jones recuou 0,52%, e o S&P 500, mais amplo, perdeu 0,31%. Na China, o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, fechou em queda de 0,4%. Na Europa, Londres caiu 0,63%, enquanto Frankfurt e Paris recuaram 0,71% e 0,94%, respectivamente.

— Nunca vimos uma interrupção de fornecimento e uma resposta dos preços como estas no mercado de petróleo — disse à agência Bloomberg Saul Kavonic, analista de energia no banco Credit Suisse.

Já o Ibovespa, referência da Bolsa brasileira, apesar de passar o dia em baixa, recuperou-se no fim do pregão e fechou em alta de 0,17%, aos 103.680 pontos, puxado principalmente pelos papéis da Petrobras. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) da estatal avançaram 4,52%, e as preferenciais (PN, sem voto) subiram 4,39%.

Os papéis das companhias aéreas, porém, sofreram com a perspectiva de alta no querosene de aviação. As ações da Azul tiveram um tombo de 8,45%, e as da Gol, de 7,77%. O dólar comercial subiu 0,05%, a R$ 4,0886.

*Com agências internacionais


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