Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, e de Lojas de Conveniência, e de Empresas de Lava-Rápido e de Empresas de Estacionamento de Santos e Região – Sindicombustíveis Resan.

Postos & ServiçosResolução da ANP não trará transparência à formação de preços que chega ao consumidor

AGO 19, 2019

Apesar de a ANP publicar uma nova resolução para dar transparência aos preços nos produtores e importadores, o mercado revendedor continuará sem a mínima noção da matemática aplicada pelas distribuidoras sempre que o litro do combustível cair nas refinarias. (P&S - agosto/2019)

Apesar de a ANP publicar uma nova resolução para dar transparência aos preços relativos à comercialização de derivados de petróleo e biocombustíveis nos produtores e importadores, o mercado revendedor continuará sem a mínima noção da  matemática aplicada pelas distribuidoras sempre que o litro do combustível cair nas refinarias. A opinião é do consultor Elias Mota, da Mota Assessoria Empresarial.

Na prática, a Resolução 795, de 5/7/19, em nada contribuirá para dar publicidade à formação final de preços, ou seja, aquele que é praticado nas bombas. O revendedor de combustíveis e, consequentemente, o consumidor vão continuar sem saber quais fatores e qual peso cada item tem sobre os cálculos das companhias para definir o preço dos produtos para o varejo. 

Elias Mota é consultor e analista da formação de preços dos derivados de petróleo de acordo com a divulgação do custo nas  refinarias da Petrobras. Ele explica que a Resolução 795 não afeta o relacionamento entre revendedores e distribuidoras. “A revenda já conhece o preço final das distribuidoras e dos produtores (refinarias). O que não sabemos são os demais fatores que compõem o preço da gasolina e do diesel A que saem da refinaria e, nas companhias, recebem a mistura do etanol e biodiesel, dos custos de frete, logística, entre outros”, comenta Mota.

Na lista dos impactos desconhecidos está, por exemplo o gasto com a manutenção de estoque regulador de segurança. “Nós entendemos e consideramos justo que cada distribuidora tenha condições comerciais distintas para negociar com seus clientes. Mas não são apenas fatores como volume ou prazo de pagamento que impactam no custo final do produto. O ‘X’ da questão é a ausência total de informação sobre a formação de preços das companhias.  Até agora a ANP não conseguiu dar transparência total ao mercado”, analisa José Camargo Hernandes, presidente do Sindicombustíveis Resan.

Objetivo frustrado 
Para Mota, nenhuma das medidas adotadas desde a greve dos caminhoneiros de 2018 refletiu no objetivo final do Governo que
é baixar o preço dos combustíveis para o consumidor. “Ainda vivemos um monopólio de fato do refino. Os únicos agentes que
poderiam ser concorrentes da Petrobras são os importadores, que têm uma participação insignificante. Para que as mudanças
tivessem um resultado no preço das bombas precisaríamos ter mais agentes fornecendo derivados de petróleo no País”.

O consultor acredita que no atual cenário, os preços finais só teriam redução significativa com aumento de produtores e com a “flexibilidade” de compra pelo varejo. “A revenda está demonstrando que ela não é culpada pelos preços praticados no País.
Concordamos que é complicado criar uma fórmula de precificação porque isso poderia afetar a liberdade de preço. Mas é preciso
ter uma melhor especificação do que compõe o preço das distribuidoras. Não queremos que sejam definidos percentuais para cada item, mas que sejam claras as diretrizes sobre como o preço final é formado”, concluiu Mota. 

Exemplo
Hernandes usou como exemplo o anúncio da redução de preços em 18 de julho, quando a gasolina A caiu de R$ 1,6396 para R$
1,6036 (-2,19%). Como a gasolina C é formada por 73% do produto tipo "A", a redução deveria ser ainda maior para o posto. No
entanto, não há no mercado divulgação do quanto a distribuidora paga pelo álcool anidro. "Há a referência da Esalq, mas a distribuidora tem poder de negociação na usina. Com isso num dia a companhia baixa 2 ou 3 centavos, mas no outro aumenta 1..."

O fato é que no posto não tem como estimar o percentual que o produto deve baixar na distribuidora sempre que a Petrobras reduz
os preços. "E eu tenho um elo que me pressiona diretamente que é o consumidor. A distribuidora faz as contas dela e repassa o  produto com o preço que acha justo. Como ela tem um mercado cativo uma vez que nos postos embandeirados só comprar dela, o revendedor fica pressionado em repassar ao consumidor o desconto da Petrobras e, dependendo da política individual de cada empresa, pode ou não reduzir sua margem".

Esse é o nó. O cliente escuta no rádio ou na TV que o combustível baixou e quer pagar menos na hora de abastecer. 

"Por isso dizemos que, aparentemente, as mudanças implantadas até agora pela ANP representam transparência apenas nos  extremos da cadeia, ou seja, nos fornecedores (refinarias e importadores) e no varejo", José Camargo Hernandes presidente do Resan.

Fonte: Revista Postos & Serviços (agosto/2019)


Comentários

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas