Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, e de Lojas de Conveniência, e de Empresas de Lava-Rápido e de Empresas de Estacionamento de Santos e Região – Sindicombustíveis Resan.

Postos & ServiçosPor que somos contra as distribuidoras operarem no varejo?

JUL 5, 2019

Muitos são os motivos para as distribuidoras não operarem no varejo. Confira na matéria publicada na edição de junho/2019 da revista Postos & Serviços.

Matéria publicada na edição de junho/2019 da revista Postos & Serviços

1 Porque fere intrinsecamente o que está disposto na Lei do Petróleo.

2 Porque a história mostra que não há compromisso de algumas companhias distribuidoras com o setor. Em 1996, quando os preços dos combustíveis foram liberados para as distribuidoras, que iniciaram a prática do preço diferenciado, ficou provado pela CPI do Petróleo, da Assembleia Legislativa de São Paulo, que a margem de lucratividade das companhias aumentou significativamente.

3 Não há salvaguarda que impeça a companhia de manipular preços com benefício aos seus próprios postos.

4 Não há garantia que os postos próprios das distribuidoras colaborem para baixar o preço do combustível para o consumidor. Os preços são livres, sem qualquer resquício de tabelamento.

5 O segmento de distribuição de combustíveis da cadeia de abastecimento tem se tornado cada vez mais concentrado. A estudo da ANP realizado em fevereiro deste ano mostra que, de 2008 para 2017, a participação de mercado das três maiores distribuidoras na gasolina C passou de 51,49% para 64,87%.

6 Entre no período 18 de setembro e 24 de novembro do ano passado, o preço da gasolina C sofreu a maior queda nas refinarias, cerca de R$ 0,51 por litro. Nesse mesmo período, as distribuidoras repassaram apenas R$ 0,26/litro para os revendedores. Segundo a ANP, o consumidor final percebeu uma diminuição de apenas R$ 0,10/litro nas bombas.

7 A ANP divulgou em sua Nota Técnica 02, de 19 de fevereiro deste ano, que a margem bruta da revenda ultrapassou os R$ 0,40/litro no período em que houve a maior redução de preços da Petrobras. É da ANP a análise que diz que este fato “sugere, em uma primeira análise, a falta de competição no setor, o que gera a apropriação pelas distribuidoras de parte significativa dos descontos praticados pela empresa”.

8 Como concorrer com o poder de mídia das grandes companhias?

9 Se o objetivo é baixar o preço para o consumidor, por que o Governo não se empenha em reduzir a carga tributária sobre os combustíveis e intensifica o combate à sonegação de impostos?

10 Se distribuidoras poderiam operar no varejo, signifca que os postos revendedores também poderiam comprar direto das refinarias ou TRRs?

11 A verticalização feita na hora errada e de forma desordenada dizimou os pequenos empresários em diversos países, inclusive nos Estados Unidos causou o fechamento de 100 mil postos.

12 Quanto mais postos bandeira branca em uma cidade, menor tende a ser o preço médio dos combustíveis naquele município. Assim, o aumento da participação de grandes distribuidoras no varejo, caso a verticalização seja liberada pela ANP, pode elevar o preço do litro da gasolina, etanol e diesel para o consumidor.Essa é a conclusão do estudo “Impactos da Entrada de Distribuidoras de Combustíveis no Segmento de Revenda Varejista”, realizado pela empresa Tendências Consultoria Integrada, contratada pela Fecombustíveis.

13 Com a integração, as grandes distribuidoras poderiam controlar o preço de venda de seus postos (fato que não é possível hoje graças à legislação atual), permitindo a oferta de combustível a um preço mais baixo para os seus próprios postos e repassando esta redução de preços para o consumidor final. Prejudicariam, assim, os postos de bandeira branca e a concorrência advinda das pequenas distribuidoras emergentes.

1 4Com os postos pequenos fora do mercado, fechados por não suportarem a concorrência, a concentração de postos operados pelas distribuidoras aumentará, havendo o risco de aumetnos de preços nas bombas face ao domínio do mercado.

15 Com a verticalização virá a pressão das grandes empresas pela implantação do autosserviço. Com isso, 500 mil empregos estariam ameaçados.

16 A sonegação estimada no setor de combustíveis chega a R$ 4,8 bilhões por ano, sem contar as bombas fraudadas e a adulteração. Em um cenário verticalizado, corremos o risco de que permaneçam no mercado agentes econômicos que atuam fora da legalidade.

17 Os postos de serviços que mantêm contrato de fidelidade com as distribuidoras estarão diretamente ameaçados, uma vez que farão concorrência direta com as companhias, com a desvantagem de poderem receber produtos com margens mais altas e não poderem comprar de outras distribuidoras ou até mesmo de refinarias


Comentários

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas