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CombustíveisGasolina brasileira é a 22ª mais barata do mundo, mas compromete mais do salário

JUN 7, 2019

O mercado brasileiro de combustíveis tem vivenciado momentos complicados nos últimos anos. Ainda assim, a gasolina do país está longe de ser uma das mais caras do mundo. O país é o 10º onde os motoristas mais gastam de sua renda diária para comprar um litro do combustível.

O mercado brasileiro de combustíveis tem vivenciado momentos complicados nos últimos anos. Ainda assim, a gasolina do país está longe de ser uma das mais caras do mundo.

Em levantamento sobre o preço médio dos combustíveis, atualizado trimestralmente pela Bloomberg e feito com base nos dados de 61 países, o Brasil ficou em 22º lugar entre os que vendem a gasolina mais barata. No país, cada pessoa adquiriu, em média, 208,38 litros entre abril de 2018 e março de 2019, comprometendo 2,6% da renda anual.

Especificamente no primeiro trimestre de 2019, os dados apontam que o litro da gasolina custou, em média, R$ 4,32. Considerando o último ano, o maior valor médio trimestral para o combustível no país foi registrado no terceiro trimestre de 2018, com o litro a R$ 4,57.

No país, a gasolina tem um forte concorrente entre os biocombustíveis: o etanol. Embora seja ambientalmente mais vantajosa, a opção renovável não é economicamente competitiva em boa parte do país. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana de 26 de maio a 1º de junho, por exemplo, foi mais vantajoso para os motoristas abastecer com a gasolina em 22 estados e no Distrito Federal.

Ainda assim, ao longo dos quatro primeiros meses do ano, o consumo de etanol hidratado representou 29% do total comercializado de combustíveis do Ciclo Otto – um dado que vem sendo comemorado pelas usinas sucroenergéticas. Nas médias mensais de 2017, o recorde de participação do biocombustível tinha sido de 21,6%.

Preço da gasolina vai de R$ 0,01 a R$ 8,40 por litro

Dentre todos os países pesquisados pela Bloomberg, o que possui gasolina mais barata é a Venezuela: R$ 0,01 por litro. O valor baixo ocorre em decorrência da crise sofrida no país e do polêmico plano de governo do presidente Nicolás Maduro.

Segundo reportagem publicada pelo G1, Maduro teria a intenção de começar a vender o combustível a preços equivalentes aos internacionais. Um ano após o anúncio, entretanto, o preço permanece abaixo de meio centavo por litro.

A segunda gasolina mais barata é a do Irã: R$ 0,53/l. O país é um dos cinco maiores produtores de petróleo e exporta, segundo dados da BBC, 2,6 milhões de barris por dia.

Já a gasolina mais cara é a de Hong Kong, R$ 8,40/l. Apesar de fazer parte da China, a região tem estrutura política e constituição próprias, e não sofre interferências do governo chinês nos valores do combustível. Segundo a BBC, dentre os principais motivos para o alto preço estão impostos elevados, gastos operacionais e alto custo de imóveis.

Entre as gasolinas mais caras também estão a da Noruega (R$ 7,34/l) e a dos Países Baixos (R$ 7,07/l). No caso da primeira, apesar de ser um dos grandes produtores e exportadores de petróleo, o governo criou restrições que tornam mais caro possuir um automóvel privado em favor do transporte público.

Na média simples entre todos os países, a gasolina custou R$ 4,71/l no primeiro trimestre de 2019, 10 centavos a mais que a média do trimestre anterior e 13 centavos acima do mesmo período no ano passado. O valor também está R$ 0,39 acima da média nacional.

Dentre os 61 países analisados, 39 tiveram aumento na gasolina em relação ao último trimestre de 2018, 21 tiveram redução e um registrou manutenção do preço.

Os valores da gasolina são fornecidos pela GlobalPetrolPrices.com e convertidos para a moeda local usando taxas de câmbio do dia correspondente. Para o levantamento, a Bloomberg ainda considera informações de consumo retiradas de documentos da ONU. Outras fontes utilizadas incluem o FactBook da CIA, agências governamentais e relatórios da própria Bloomberg.

Acesso desigual ao combustível

Olhar apenas para o preço em cada país não permite a compreensão sobre o poder de compra dos motoristas. Por isso, outra análise feita pela Bloomberg é justamente em relação ao acesso ao combustível com base na renda de cada país.

O brasileiro, por exemplo, pode até não ter a gasolina mais cara do mundo, porém, no quesito acessibilidade, ele não está entre os primeiros. No país, o motorista utiliza 4,57% do seu salário diário para adquirir um litro do combustível.

A análise assumiu uma renda média diária de R$ 94,43, calculada a partir do PIB per capita anual, em moeda local. Com essa média, o Brasil é o 10º país onde mais se compromete renda para abastecer.

Ainda neste quesito, o motorista que mais gasta para comprar um litro de gasolina é o paquistanês: 18,4% da renda diária, que é de R$ 13,84. Logo em seguida vem a Índia, com índice de 17,5%.

Em contrapartida, dentre os países onde os motoristas menos comprometem a renda diária estão os Estados Unidos, com apenas 0,43%. Os norte-americanos têm rendimento médio de R$ 684,03 ao dia. Luxemburgo e Kuwait empatam em segundo lugar, comprometendo apenas 0,44% da remuneração.

Renda anual comprometida

A Bloomberg ainda considerou que a demanda por gasolina é variável de acordo com cada país. Por isso, analisou quanto cada motorista adquire do combustível anualmente e o quanto este volume compromete de sua renda total.

Assim, embora os estadunidenses estejam entre os que menos comprometem seus rendimentos com um litro de gasolina, eles estão em primeiro lugar no volume adquirido. Em média, são 1,6 mil litros de combustível por pessoa – desta forma, 1,94% do rendimento anual é direcionado para encher o tanque.

Em volume, os canadenses estão logo atrás dos Estados Unidos, tendo adquirido 1,24 mil litros por pessoa ao ano, usando 2,83% da renda anual. Na outra ponta, os indianos consomem apenas 24,5 litros por ano, usando 1,16% do salário.

O Brasil elenca o 33º lugar de maiores compradores de gasolina – a aquisição per capita anual foi 208,38 litros entre abril de 2018 e março de 2019. Esse volume, segundo a Bloomberg, comprometeu 2,6% da renda do brasileiro.

A posição é menor do que a vista no acumulado de janeiro a dezembro do ano passado (2,75%), mas representa certa estabilidade quando considerado o período de abril de 2017 a março de 2018 (2,62%). De 2014 para cá, o período em que o brasileiro mais comprometeu sua renda anual para encher o tanque foi nos doze meses encerrados no terceiro trimestre de 2018 (2,86%).

Na média simples dos países analisados pela pesquisa, os motoristas gastaram, em média, 1,36% do rendimento anual com gasolina. O valor desconsidera diferenças populacionais e de demanda.

Mudanças na política de preços brasileira

O atual cenário da gasolina brasileira é resultante da política da Petrobras, vigente desde outubro de 2016, que fez com que o combustível e o diesel no Brasil passassem a acompanhar os valores do mercado internacional. A mudança foi bem recebida por diversos setores da economia – incluindo a indústria sucroenergética –, mas não foi unanimemente aceita.

Em julho de 2017, os ajustes passaram a ser praticamente diários, porém, a possibilidade de aumentos consecutivos não foi exatamente bem recebida pela população. A estratégia foi considerada um dos principais motivos da greve de caminhoneiros ocorrida em maio de 2018, que levou à queda do então presidente da estatal, Pedro Parente.

Um ano depois, as mudanças nos preços têm ocorrido com menos frequência, motivadas, segundo a petroleira, por um mecanismo de hedge capaz de segurar a volatilidade nas refinarias por períodos de até 15 dias. Na mais recente alteração, em vigor desde 31 de maio, houve uma redução de 6% no preço médio do diesel nas refinarias, para R$ 2,1664 por litro, e de 7,16% na gasolina, para R$ 1,8144/l.

Com aumentos frequentes ou não, a gasolina tende a pesar no bolso do brasileiro, que ainda opta pelo combustível fóssil em relação ao etanol com mais frequência. Para acompanhar dados referentes ao consumo de combustíveis e a preferência do consumidor, acesse o novaCana DATA (exclusivo para assinantes).

Gabrielle Rumor Koster – novaCana.com


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