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EmpregoApos três anos, país contrata mais do que demite

JAN 24, 2019

O Brasil teve saldo de 529 mil vagas formais de trabalho em 2018, interrompendo ciclo de três anos de déficit, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Para especialistas, perdas totais da crise só serão recuperadas em 2021.

O Globo 
 

24/01/2019 – O Brasil teve saldo de 529 mil vagas formais de trabalho em 2018, interrompendo ciclo de três anos de déficit, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Para especialistas, perdas totais da crise só serão recuperadas em 2021. Apesar de positivo, desempenho do Rio foi tímido.

O mercado formal de trabalho saiu do vermelho no ano passado, mas ainda está longe de recuperar as perdas acumuladas na recessão entre 2014 e 2016. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Brasil abriu 529,5 mil vagas com carteira assinada em 2018. O resultado interrompeu a sequência de três anos em que demissões superaram contratações no país eé o melhor desde 2013, quando 1,1 milhão de postos foram criados. Analistas estimam, no entanto, que a recuperação das perdas das quase 3 milhões de vagas na crise ainda deve levar pelo menos mais três anos.

Entre 2015 e 2017, o país fechou 3,1 milhões de postos de trabalho. Nas contas do economista Eduardo Lisboa, da Rosenberg Associados, o mercado deve abrir 671 mil vagas neste ano e acelerar a geração de postos nos próximos anos para recuperar totalmente o que foi perdido só ao fim de 2021. Isso dependendo das condições de retomada dos investimentos.

— Esse processo pode demorar mais tempo, a depender do nível das reformas que serão efetivamente feitas pelo novo governo, do avanço econômico nos próximos anos e de outros fatores que possam interferir na geração de empregos —avalia o economista.

RIO: SALDO ABAIXO DA MÉDIA

Entre as 50 cidades que mais geraram emprego no último ano, 15 são de São Paulo, que fechou com saldo de 106,4 mil vagas. Entre elas está a capital paulista, que lidera o ranking com 58.357 vagas. Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e Curitiba (PR) também tiveram destaque entre as capitais.

O Estado do Rio foi o 15º no país em ranking de criação de postos, masa geração de vagas ainda é incipiente. Foram 5.736, suficientes só para interromper o ciclo de perdas. Em 2014, antes da crise, o Rio criou mais de 53 mil empregos. Entre 2015 e 2017, o estado fechou 513 mil vagas.

Em todo o país, o desempenho fechado de 2018 foi puxado pelo setor de serviços, o maior da economia. Em 2018, o saldo entre contratações e demissões no segmento ficou em 398,6 mil, alta de 2,38% em relação ao ano anterior. Já o comércio teve saldo de 102 mil, avanço de 1,13%. O terceiro melhor desempenho foina construção civil, que abriu 17,9 mil vagas formais—primeiro número positivo no segmento desde 2013.

—Agente vê que foi um resultado muito dependente do setor de serviços e do comércio — avalia o economista Thiago Xavier, da Tendências Consultoria, que projeta geração de 800 mil vagas no país este ano.

Segundo o analista, a crise da Argentina e a greve dos caminhoneiros, em maio, ajudaram a frustrar expectativas.

MUDANÇA NA LEGISLAÇÃO

A paralisação também foi citada pelo governo. Para o secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, parte do resultado deste ano pode ser atribuído à reforma trabalhista, da qual ele foi relator quando era deputado. Segundo ele, é possível esperar resultados mais “robustos” neste ano e prometeu mais mudanças na legislação que, na avaliação dele, podem destravar contratações:

— Há uma necessidade de retirarmos ainda mais a tutela do Estado na relação entre o público e o privado. Facilitar a vida dos que querem empreender no Brasil, desburocratizar, permitir que um número maior de trabalhadores saiam da informalidade.

O economista Bruno Ottoni, pesquisador do Ibre/FGV e do IDados, pontua que os efeitos da reforma devem aparecer mais à frente. As projeções do Ibre/FGV para o Caged deste ano apontam abertura de 700 mil a 800 mil vagas.

—Em alguns países, os efeitos de reformas foram vistos cinco anos depois. No Brasil, onde a Justiça demora mais para estabelecer jurisprudência, a tendência é ter um prazo prolongado para ver estes resultados — explica o pesquisador. (Colaboraram Bárbara Nóbrega e Daniel Lima)


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