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Shell quer legislação para efeito estufa

 

As grandes petrolíferas tentam equilibrar hoje em dia duas grandes pressões sobre seus negócios: os governos estão tentando diminuir as emissões de carbono, mas a sede mundial por energia cresce a olhos vistos.

Peter Voser, diretor-presidente da Royal Dutch Shell PLC, optou por navegar a situação se unindo a uma iniciativa bancada por empresas para pressionar pela criação de leis que coíbam o aquecimento global, e também garantindo que a Shell tenha forte presença em gás natural e combustíveis alternativos.

Voser conversou com Alan Murray e Kimberley Strassel, do Wall Street Journal, na conferência ECO:nomics, sobre meio ambiente e negócios, promovida pelo WSJ em Santa Barbara, Califórnia, entre 3 e 5 de março, para falar sobre o futuro da legislação do efeito estufa, a expansão da empresa além do petróleo, as perspectivas dos carros elétricos e muito mais. Trechos: Alan Murray: Gostaria de começar perguntando sobre a U.S. CAP [Parceria dos Estados Unidos para Ação sobre o Clima], a iniciativa empresarial para impulsionar a criação de leis contra o efeito estufa.

Vocês são a última petrolífera a continuar nela. Várias outras nem se uniram à iniciativa. Por que só a Shell continua pressionando por isso?

Peter Voser: Acreditamos que este país precisa de uma legislação energética baseada no mercado.

E, aliás, também os outros países. Achamos que podemos fazer mais participando da U.S. CAP com os outros interessados representados lá, para que possamos obter o desenlace apropriado.

Kimberly Strassel: Que tipo de lei o sr. quer ou espera que seja favorável ao seu setor?

Voser: O que queremos é uma legislação de energia que aumente a segurança do suprimento neste país, incentive a redução das emissões oriundas de combustíveis, gere novos empregos mas também preserve os antigos.

Para deixar bem claro o que queremos, somos grandes defensores de uma legislação energética amparada no mercado. Vamos investir claramente em projetos de gás natural, que consideramos uma fonte de energia de longo prazo que tem muitos aspectos positivos.

E, em geral, acho que nosso setor enfrenta um desafio interessante diante da expectativa de que a demanda mundial vai dobrar, mas temos de fornecer essa energia a um custo ambiental muito menor. Isso vai orientar as evoluções tecnológicas, as inovações etc., e nosso setor sempre esteve numa posição de liderar isso. É isso que queremos ver numa legislação, para que tenhamos certeza sobre o preço do carbono, digamos, legislação que dure por um tempo de modo que possamos operar.

Murray: A gente fala da Shell como uma empresa de petróleo, mas ela está muito perto de se tornar predominantemente de gás natural, não?

Voser: Isso é totalmente correto.

Na verdade a Shell começou a enfatizar o gás um bom tempo atrás. E em 2012 teremos mais produção mundial de gás do que de petróleo.

Foi uma jornada de 20, 30 anos, em que usamos nossas tecnologia e inovação para impulsionar o desenvolvimento do gás numa base mundial, porque, vamos ser sinceros, ele tem 50% a 70% menos dióxido de carbono que o carvão, por exemplo, e é exatamente aí que vemos o benefício de longo prazo.

Murray: E no seu ponto de vista, essa é a grande solução para nossos problemas ambientais nos próximos 50 anos ou mais?

Voser: Não acho que exista uma solução única.

Sob um ponto de vista mundial, a demanda energética vai dobrar - isso já é praticamente comprovado - até 2050. Então precisaremos da maioria das formas de energia que temos atualmente.

Murray: Qual é a porcentagem das suas despesas de capital que vai para fontes de energia renováveis?

Voser: Não é a intensidade do capital que impulsiona as fontes renováveis e alternativas. É como você gasta com tecnologias e inovações. Cerca de 25% do nosso orçamento no momento, sob um ponto de vista de P&D, vai para o que chamamos de energias alternativas.

Murray: E dos 25% do orçamento de P&D que o sr. gasta com renováveis, qual a fonte que considera pessoalmente a mais promissora?

Voser: Estamos focados muito em biocombustíveis no presente estágio. Acabamos de anunciar há algumas semanas a criação de uma grande sociedade no Brasil, onde estamos unindo nosso conhecimento de biocombustíveis de primeira e segunda geração com a Cosan, uma produtora local de etanol, para acelerar a capacidade de segunda geração porque precisamos agilizar esse processo. Então os biocombustíveis já são uma fonte.
 
Fonte: Valor Econômico

 
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