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Quem puder investir novamente o FGTS em ações da Petrobrás não deve perder a chance. Analistas do mercado alertam, porém, que desta vez os rendimentos podem não ser tão significativos quanto os da última década, de mais de 870%. "O investidor não deve nutrir a expectativa de ter hoje os lucros que obteve no passado", avalia Ricardo Fontes, professor de finanças do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper, antiga Ibmec).
Segundo especialistas, os altos rendimentos obtidos de 2000 (ano do primeiro ingresso de verba do FGTS na estatal) para cá ocorreram por dois motivos que não têm como se repetir. "Primeiro porque em 2000 a Bolsa estava em franca expansão. Segundo, porque foi o ano em que a Petrobrás abriu capital. Foi o ano de boom da companhia", explica Luís Broad, da Ágora Corretora.
A nova entrada de capital pelo FGTS foi aprovada pela Câmara na quarta-feira. O plano do governo é utilizar essa verba para capitalizar a estatal a fim de concretizar os investimentos previstos para a petrolífera, sobretudo os planejados para a região da camada do pré-sal. A medida, porém, ainda aguarda a aprovação do Senado.
Broad explica que investir na Petrobrás por meio do FGTS é um bom negócio tanto no médio quanto no longo prazo. "Não tenho dúvidas de que o investidor deva aplicar os 30% do FGTS nas ações da petrolífera."
Flávio Conde, analista da Gradual, concorda com Broad e justifica: "O dinheiro do FGTS é morto, portanto, ter a possibilidade de reverter 30% do montante em uma empresa excelente como a Petrobrás é uma boa manobra".
O rendimento do FGTS é de 3% mais a Taxa Referencial (TR), hoje próxima de zero. Até a poupança rende mais que o fundo: TR mais 0,5% ao mês, que dá cerca de 6,5% ao ano.
O plano estratégico da Petrobrás, que prevê investimentos de US$ 174 bilhões nos próximos cinco anos, é apontado pelos analistas como um fator que deve garantir a rentabilidade das ações. "Além disso, o trabalhador poderá aportar apenas 30% do seu fundo. Fato que praticamente retira qualquer risco do investimento", comenta Fontes, do Insper.
Conde, da Gradual, lembra ainda que a estatal pretende triplicar o atual nível de produção de petróleo - saltando dos atuais 2 milhões de barris produzidos ao dia para 6 milhões. "Seguindo essa linha de raciocínio, a petrolífera tende a também triplicar o seu lucro e sua receita." Em 2009, o lucro da estatal atingiu R$ 32 bilhões.
A utilização do FGTS na compra de ações da estatal contemplará apenas 0,3% dos trabalhadores brasileiros, ou seja 95 mil pessoas. Isso porque só os trabalhadores que já são acionistas da empresa poderão usar até 30% do saldo do fundo para subscrever os papéis.
Fonte: O Estado de S. Paulo
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