Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, e de Lojas de Conveniência, e de Empresas de Lava-Rápido e de Empresas de Estacionamento de Santos e Região – Sindicombustíveis Resan.

Ex-diretor da Petrobras pode voltar a ser preso

6 DEZ 2018

O Globo 
 

06/12/2018 O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa pode perder seu acordo de colaboração premiada após a 57ª fase da Operação Lava-Jato, deflagrada ontem e batizada de Sem Limites. Costa teria omitido o esquema investigado nesta nova etapa, que apura pagamento de US $31 milhões de propina a funcionários da Petrobras entre 2009 e 2014, sobretudo na área de compra e venda de petróleo e derivados.

Segundo as investigações, a propina era paga a funcionários da gerência executiva de Marketing e Comercialização da Petrobras e subordinada à diretoria de Abastecimento, comandada por Costa. As operações eram feitas em escritórios da Petrobras nos EUA e no Brasil. O procurador Athayde Ribeiro Costa disse que se comprovada a omissão, Costa pode voltara ser preso:

—Se caracterizada omissão dolosa, ele perde os benefícios.

Em nota, o advogado de Costa, João Mestieri, informou que seu cliente narrou de forma ampla e irrestrita todos os fatos, “sendo inquestionável a eficácia da sua colaboração”.

Em 2017, os procuradores pediram ao então juiz do caso Sergio Moro a suspensão do acordo em razão de contradições e omissões por parte de Costa e de sua filha, Arianna, num dos processos que investigou a tentativa de ocultação de provas. Em março de 2014, parentes do ex-diretor da estatal foram filmados por câmeras retirando documentos da empresa, horas antes da chegada dos policiais.

Em agosto, Moro suspendeu a ação contra Costa, mas condenou suas filhas a serviços comunitários. Além de Costa, há outras delações questionadas na Justiça, como adoe x-senador Delcídi odo Amaral, o empresário Joesley Batista e a doleira Nelma Kodama, que trabalhava com Alberto Yousseff, beneficiar coma delação na Operação Lava-Jato.

SETE PRISÕES

Na ação de ontem, a Polícia Federal( PF) prendeu sete pessoas. Os esquemas de corrupção apontados pela investigação aconteceram em duas áreas da estatal: trading (compra e venda de petróleo e derivados) e afretamento de navios. Ao todo, a Justiça autorizou 11 mandados de prisão e 27 de busca e apreensão no Rio e no Paraná. Um dos investigados está hospitalizado e não foi detido. Outras três pessoas estão no exterior — deverão ter os nomes incluídos na lista de procurados da Interpol.

O principal foco da investigação é a área de trading e envolve funcionários de nível de gerência no Rio e em Houston. Em documentos apreendidos pela PF, eles eram chamados de Batman, Flipper, Tiger, Phil Collins e Popeye.

A investigação mostra que esses funcionários faziam pequenas alterações nos valores de cada transação. Na prática, a Petrobras vendia produtos para as trading por preços abaixo do mercado e comprava dessas mesmas empresas por preços ligeiramente mais altos. Parte do dinheiro que as companhias lucravam com o esquema era devolvido em forma de propina. Entre as empresas investigadas estão Vitol, Trafigura e Glencore.

Pela manhã, policiais estiveram no apartamento de Omar Emir Chaves Neto, no Leblon. Diretor de uma empresa de transporte marítimo, ele é ligado ao ex-cônsul honorário da Grêcia Konstantinos Kotronakis. Em agosto de 2017, Konstantinos foi acusado de pagar propina para Costa.

Glencore e Trafigura informaram que não comentariam o caso. A Vitol afirmou que adota uma política de “tolerância zero” em relação às práticas de corrupção.