Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, e de Lojas de Conveniência, e de Empresas de Lava-Rápido e de Empresas de Estacionamento de Santos e Região – Sindicombustíveis Resan.

Indústria em outubro cresce 0,2% e alta é disseminada por setores

6 DEZ 2017

O Globo
 

06/12/2017 – A reação na indústria ficou mais evidente em outubro, após o IBGE divulgar os números da produção ontem. Apesar do crescimento pequeno, de 0,2% frente a setembro, é o oitavo resultado positivo do ano, e a alta foi disseminada, alcançando 61% dos itens pesquisados pelo IBGE, o melhor resultado desde abril de 2013. Especialistas ouvidos pelo GLOBO avaliam que o dinamismo do setor ainda é baixo e está longe de compensar a perda acumulada durante os três anos de retração que a indústria enfrentou. No entanto, o espalhamento de resultados azuis indica que a retomada pode ganhar força nos próximos meses.

— A disseminação de resultados bons pode fazer o setor começar a andar com mais firmeza. Quando mais peças estiverem girando na direção correta nessa engrenagem, cria-se um círculo virtuoso — analisa Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). VEÍCULOS EM ALTA O economista ainda vê muita volatilidade nos resultados e taxas ainda baixas, muito próximas de zero, tanto que de janeiro a outubro, a produção industrial só avançou 1,9% depois de três anos seguidos de queda. Mesmo os resultados mais robustos frente ao ano passado, segundo Cagnin, acontecem sobre um nível de produção baixo.

Em relação a outubro de 2016, quando a produção industrial encolheu 7,2%, o resultado em outubro deste ano foi de expansão de 5,3%, puxado principalmente pela produção de veículos, reboques e carrocerias, que cresceu 27,4% em grande parte pela maior fabricação de automóveis, caminhões e tratores.

Frente a setembro, o que puxou o resultado geral do setor para cima foram os produtos farmacêuticos (20,3%) e bebidas (4,8%).

Entre os quatro grandes grupos de indústria, o melhor desempenho foi o de bens de capital (máquinas e equipamentos), que acompanha o resultado geral da indústria e cresceu em oito dos dez meses do ano. Em outubro, a expansão de 1,1% interrompeu uma tendência de desaceleração que vinha se produzindo desde o início do segundo semestre, abrindo perspectiva para resultados melhores nos próximos meses. Frente a outubro de 2016, a alta foi de 14,9%. A expansão da produção desse ramo da indústria mostra que as empresas estão investindo e precisando de máquinas para produzir mais. Nesse grupo, os destaques foram máquinas e equipamentos para o setor de transporte e para a construção.

Para Thiago Xavier, economista da Consultoria Tendências, outro fator que vem ajudando a indústria a se recuperar é a melhora do consumo interno. No primeiro semestre, os resultados positivos do setor eram basicamente puxados por exportações:

— Quando a gente olha para o mercado de trabalho já vê a renda em crescimento, maior ocupação, aumentando a massa salarial e o poder de consumo dos trabalhadores. Do lado das variáveis monetárias, vemos redução da inadimplência, aumento ligeiro das concessões de crédito e o o varejo numa trajetória positiva.

Em outubro, em relação ao mês anterior, 15 dos 24 ramos pesquisados tiveram alta. Entre os nove ramos que tiveram resultados negativos nessa comparação, produtos alimentícios, com queda de 5,7%, teve o maior impacto sobre o resultado geral da indústria.

— De setembro para outubro um volume maior de chuvas atrapalhou a colheita da cana e houve uma destinação maior de cana para a produção de álcool, em detrimento ao açúcar, puxando para baixo o resultado do setor de alimentos — explicou André Macedo, gerente da pesquisa indústria.

Em relação ao resultado na comparação com o mesmo mês de 2016, houve resultados positivos disseminados entre as quatro grandes categorias, em 22 dos 26 ramos pesquisados e em 61 dos 79 grupos. PRODUÇÃO IGUAL À DE 2009 Segundo Macedo, a indústria, mesmo com os resultados positivos, ainda está longe de se recuperar do tombo dos últimos anos. Está operando no mesmo nível de produção de 2009.

— Este ano, à exceção de agosto e março, tivemos resultados positivos, mas existe ainda uma grande distância até a recuperação, porque a indústria ainda opera no mesmo patamar do início de 2009, e 17% abaixo do pico histórico, registrado em junho de 2013. Mesmo assim, já é melhor do que no ano passado, quando essa distância chegou a ser superior a 20% — explicou o coordenador do IBGE.

Informática, produtos eletrônicos e ópticos também tiveram alta expressiva, de 22%.

— O ganho real de renda, a melhora do mercado de trabalho e a queda da inflação também influenciaram a melhora da produção da linha marrom (eletroeletrônicos) — disse Macedo.