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Corrida por avião elétrico pode levar 1º modelo ao mercado em 2022

11 OUT 2017

Folha de S.Paulo

A corrida para desenvolver o primeiro avião de passageiros elétrico e autoguiado se acelerou depois que a Boeing anunciou, no dia 5 de outubro, planos para adquirir a Aurora Flight Sciences, sua parceira em pesquisas aeronáuticas avançadas, por uma quantia não revelada.

A aquisição da pequena empresa sediada na Virgínia surge em momento no qual a Boeing está reforçando seu interesse por futuras tecnologias de aviação.

A Aurora Flight Sciences já desenvolveu mais de 30 aeronaves não tripuladas (drones) desde que foi criada, em 1989, e no ano passado conquistou um contrato de US$ 89 milhões da Agência de Pesquisa de Projetos Avançados de defesa (Darpa) norte-americana para desenvolver um avião não tripulado que testará sistemas de propulsão elétrica.

O grupo aeroespacial e de defesa norte-americano estabeleceu há alguns meses a Horizon X, uma subsidiária de capital de risco, com o objetivo de investir em inovações disruptivas.

Um de seus primeiros investimentos foi na Zunum Aero, uma start-up sediada em Washington cujo objetivo é desenvolver o primeiro avião de passageiros com propulsão híbrida elétrica. A Zunum revelou na quinta alguns detalhes sobre o custo de operação do avião para entre 10 e 12 passageiros que planeja, e que deve começar a voar comercialmente em 2022.

Greg Hyslop, vice-presidente de tecnologia da Boeing, disse que o conhecimento especializado da Aurora em veículos não tripulados seria vital para o futuro do setor aeroespacial. “Com a tecnologia amadurecendo muito rápido, a questão será menos o avião que o software do avião”, ele disse em entrevista no Facebook Live.

Mas vai demorar algum tempo para que aviões completamente autopilotados sejam usados em voos comerciais. Os avanços de curto prazo envolveriam tornar os aviões mais inteligentes, mais seguros e mais eficientes, disse ele.

Enquanto isso, a Zunum, que conta com a companhia de aviação econômica JetBlue entre seus investidores, além da Boeing, revelou suas primeiras estimativas de custo operacional para seu projeto de avião híbrido. A companhia tem por meta um custo de US$ 0,05 por assento disponível/quilômetro —um indicador de eficiência empregado pelo setor.

De acordo com um relatório da consultoria Oliver Wyman publicado em 2015, isso representaria uma redução de entre 10% e 30% com relação aos custos de operação dos aviões de maior porte operados por empresas de aviação convencionais e econômicas.

CETICISMO

Ashish Kumar, cofundador e presidente-executivo da Zunum, disse que seus engenheiros haviam aprendido com a indústria automobilística a combinar propulsão elétrica e geradores capazes de estender o alcance do aparelho, o que permitirá que o avião voe por até 1,1 mil quilômetros.

Mas alguns especialistas encaram com ceticismo a hipótese de que a operação de aviões híbridos será mais barata, pelo menos inicialmente. “Não vejo uma redução de custos inicial, porque eles ainda terão turbinas acionadas por combustível fóssil”, disse Nikhil Sachdeva, da consultoria Roland Berger, que publicou um relatório sobre aviões de propulsão elétrica também nesta quinta.

Além disso, o peso e a duração das baterias limitarão o alcance dos aviões de propulsão elétrica. Mas Kumar disse que a duração da carga das baterias estava avançando tão rápido que a Zunum, fundada em 2013, esperava levar ao mercado até 2030 seu primeiro avião comercial elétrico para 50 a 100 passageiros, com alcance de 1,6 mil quilômetros.

A empresa quer converter as pessoas que viajam de carro e trem em viajantes aéreos, por meio do uso de aeroportos locais com requisitos de segurança mais modestos, a fim de reduzir o tempo de viagem em percursos de curta e média distância. A Zunum estima que o potencial total do mercado para aviões de substituição e para a conversão de viajantes terrestres ao transporte aéreo pode ser de perto de US$ 3 trilhões.

Em abril, ela lançou planos para um avião de 10 a 12 lugares, e passível de ampliação, que funcionaria inicialmente como híbrido mas poderia ser convertido para funcionamento totalmente elétrico quando a tecnologia das baterias assim permitir. A companhia planeja começar a testar um modelo de demonstração em 2019.

A Zunum enfrentará severa concorrência, no entanto. O setor aeroespacial começou a encarar com seriedade o potencial da propulsão elétrica, que pode ajudar a cortar as emissões de poluentes e a reduzir o ruído. A Airbus, rival europeia da Boeing, está trabalhando um avião elétrico para voos regionais, tomando por base o programa E-Fan, que a companhia vem desenvolvendo há muito tempo.

O valor do investimento da Boeing e JetBlue na Zunum não foi revelado.