Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, e de Lojas de Conveniência, e de Empresas de Lava-Rápido e de Empresas de Estacionamento de Santos e Região – Sindicombustíveis Resan.

Meta de inflação deve ser reduzida para 4,25%

19 JUN 2017

O Globo

 



Gabriela Valente e Martha Beck



17/06/2017 – O Conselho Monetário Nacional (CMN) deve fixar a meta de inflação para 2019 em 4,25% ao ano, confirmaram fontes ouvidas pelo GLOBO. O valor é levemente inferior àquele em vigor desde 2005 e que vale até 2018, de 4,5% ao ano. A equipe econômica até cogitou ser mais radical e estipular um alvo de 4%. No entanto, a avaliação foi que isso seria prejudicial, porque havia o risco de sinalizar que os juros teriam de subir para alcançar o resultado. A informação de que a meta deve ficar em 4,25% ao ano em 2019 foi antecipada pelo jornal “Valor Econômico” ontem.



Nos bastidores, havia pressão para que o CMN fosse mais audacioso. O recrudescimento da crise política, entretanto, passou a dificultar uma queda maior na meta de inflação. Para um integrante do governo, o ideal é fazer uma mudança gradual, para garantir o processo de desinflação do país.



— O que a gente quer é ancorar as expectativas — confirmou uma fonte da equipe econômica.



O receio é que uma indicação mais agressiva tivesse o efeito contrário. Ou seja, que os juros futuros voltassem a subir, já que ninguém sabe ao certo qual será o desfecho da crise política e seus impactos sobre a economia brasileira, que começa a dar sinais de recuperação.



— A intenção é sinalizar redução da inflação sem sinalizar nada para a política de curto prazo — explicou outro integrante do governo.



Na segunda-feira, durante a tradicional reunião do BC com economistas, os representantes da autoridade monetária ouviram queixas de que está muito difícil fazer cenários e previsões, por causa da indefinição dos rumos políticos no país.



— Está todo mundo perdido — resumiu um participante do encontro.



As atenções dos analistas estão voltadas para o norte que será indicado pela equipe econômica após a reunião do CMN da última semana de junho, quando será decidida a meta de inflação para 2019. No Banco Central, um objetivo de longo prazo é levar a meta de inflação para 3% ao ano. “Fala-se em redução de 4,50% para 4,25% (na reunião do CMN do fim do mês). Parece pouco; muito barulho por nada, ou quase nada. Mas é difícil imaginar, ainda by the book (ou seja, pelo manual), que a oportunidade atual não seja aproveitada”, ressaltou José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe Banco Fator, em comunicado aos clientes.



Os analistas esperam sinais mais claros no relatório trimestral de inflação do BC, que será publicado na semana que vem. Além de tentar entender o cenário de longo prazo da autoridade monetária, os especialistas querem indicações de quais serão os próximos passos na condução da política de combate à inflação. Há a estimativa de que o BC diminua o ritmo de queda dos juros daqui para frente.