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Nos EUA, petróleo e gás mais caros podem desacelerar recuperação

11 OUT 2021

Fonte: Valor Econômico

O petróleo bruto subiu 64% este ano, para sua maior alta em sete anos. Os preços do gás natural praticamente dobraram nos últimos seis meses e também estão no seu maior nível em sete anos. O óleo para calefação aumentou 68% este ano. Os preços do combustível para o consumidor final subiram quase um dólar nos últimos 12 meses, para uma média nacional de pouco mais de US$ 3 por galão. Os do carvão chegaram a altas recordes.

Segundo economistas, preços mais altos no setor energético podem impulsionar a alta da inflação nos próximos meses, reduzir os gastos do consumidor com outros produtos e serviços e, em última análise, desacelerar a recuperação econômica dos EUA.

“Para os consumidores é como se fosse um imposto”, disse a economista Kathy Bostjancic, da Oxford Economics. Mas ela ressalvou que, embora os consumidores devam sofrer com o aperto, o aumento dos preços da energia “teria de ser extremo e prolongado” para interromper a recuperação econômica. O cenário mais provável, na sua avaliação, é outro: “Observaríamos apenas uma desaceleração maior do crescimento ou uma pausa mais longa antes de que o crescimento fosse retomado, e nesse ínterim teríamos inflação um pouco mais persistente.”

Andreas Steno Larsen, analista do Nordea Bank, de Helsinque, é mais pessimista. Ele disse que os aumentos deste ano o levaram a cortar sua estimativa de crescimento dos EUA em 2022, de 3,5% para 1,5%. Ele acredita que os preços do petróleo e do gás permanecerão estáveis nos próximos meses, mas também vê a possibilidade de cenário muito pior, em que eles subiriam mais 40% em algum momento do ano que vem, o suficiente para empurrar os EUA e a economia mundial para uma breve recessão em meados de 2022.

A elevação de preços é motivada pelo aumento da demanda e pela oferta restrita. À medida que a pandemia se dissipa e os consumidores em todo o mundo aumentam gastos, fábricas e prestadores de serviços incrementam a produção, o que exige energia. A oferta de petróleo está baixa porque os países exportadores decidiram aumentar a produção em etapas ponderadas, em vez de abrir as torneiras de uma vez.

Os estoques de gás natural diminuíram depois que a intensa onda de frio no Texas, no início do ano, elevou a demanda e o furacão Ida interrompeu quase toda a produção de gás do Golfo do México. A isso soma-se demanda maior na Europa, onde os suprimentos caíram por causa do clima quente e a redução das importações de gás da Rússia. Já a alta nos preços do carvão foi resultado da combinação entre aumento da demanda e retenção da oferta a partir de planos de redução de emissões de carbono.

Analistas acreditam que esses fatores farão os preços aumentarem ainda mais nos próximos meses. A Moody’s Analytics prevê que o do petróleo subirá de US$ 79 por barril para entre US$ 80 e US$ 90 no início do próximo ano, e os preços do gás natural sairão dos atuais US$ 5,565 por milhão de unidades térmicas britânicas (BTU) para US$ 6,50 ou US$ 7. O pior cenário do JPMorgan Chase é de que o preço do petróleo aumente durante os próximos três anos e chegue a US$ 190 por barril em 2025.

Os preços do setor de energia costumam ser voláteis, mas hoje são especialmente imprevisíveis pelas perspectivas econômicas nebulosas e a incerteza sobre como governos e investidores responderão à escassez de oferta. Investidores têm pressionado as empresas a manter altos os preços e as margens de lucro ao resistir a uma expansão drástica da produção.

A despesa com energia representa parte considerável do orçamento dos consumidores. Em agosto, cerca de 7% dos gastos foram com energia, segundo o Departamento do Trabalho. Historicamente, preços de energia altos frequentemente precederam recessões. Os consumidores não têm como cortar o consumo de repente, como fazem com outros produtos. Por isso, preços mais altos funcionam como um imposto e drenam o dinheiro que eles têm disponível para gastar com outros bens e serviços.

O aumento dos preços já alimenta temores de uma crise econômica na Europa e na Ásia, onde a escassez é particularmente grave. Nos EUA, analistas afirmam que o efeito deve ser menos severo por várias razões. Os preços do gás natural subiram muito menos porque os EUA são grandes produtores da commodity e boa parte do estoque fica no próprio país. Além disso, a oferta de gás não é tão restrita quanto a de petróleo.

A energia mais cara pode agravar a inflação e levar o Federal Reserve (banco central dos EUA) a antecipar o fim do relaxamento da política monetária, o que enfraqueceria a expansão econômica.

Os economistas do JPMorgan Chase acreditam que os preços mais altos do petróleo podem elevar a taxa anual de inflação em 0,4 ponto percentual nos próximos meses.

Em agosto, os preços ao consumidor subiram 4,3% em relação a um ano antes, de acordo com o índice de preços para despesas de consumo pessoal do Departamento de Comércio, o indicador de inflação preferido do Fed. A meta do Fed é de uma inflação anual de 2%. A previsão da Oxford Economics é de que os preços da energia ajudarão a elevar a taxa anual de inflação para 5,1% até o fim do ano.