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Na contramão do mundo, Bolsonaro quer fim do confinamento

25 MAR 2020

Fonte: O Globo

Em pronunciamento na TV, o presidente Bolsonaro questionou medidas adotadas em todo o mundo contra a pandemia do coronavírus. Propôs reabrir comércio, criticou o fechamento de escolas e o “confinamento em massa”, condenou ações de governadores para esvaziar as ruas e atacou a imprensa. Para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a fala de Bolsonaro é “grave”: “O Brasil precisa de liderança responsável”.

Houve panelaço, o oitavo, em várias cidades. Bolsonaro segue a posição de Donald Trump, que quer ver os EUA abertos após a Páscoa, apesar do alerta da OMS de que o país será o novo epicentro da doença.

Na contramão de medidas adotadas globalmente por países e de recomendações de autoridades da área da saúde para combater o novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento ontem à noite em rede nacional de rádio e TV defendendo a reabertura do comércio e das escolas e o fim do “confinamento em massa ”. Retomando o discurso de minimizara pandemia, mesmo diante da expansão dos números de contaminação, ele culpou os meios de comunicação por espalhar “pânico” e criticou autoridades estaduais que adotaram, na sua visão, “o conceito de terra arrasada”.

O pronunciamento provocou repercussão ainda ontem na sociedade e no meio político. Em várias capitais, houve pane laços. Em Brasília, areação começou pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que classificou a fala como “grave” e disse que “a nação espera do líder do Executivo seriedade e responsabilidade ”. Acrítica deBol sonar o às ações dos governadores ocorre emmeio a uma rodada de reuniões virtuais entre ele e os chefes de Executivos estaduais. N amanhã de hoje, ele terá videoconferência com os governadores do Rio, Wilson Witzel, e de São Paulo, João Doria.

— Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que ogru poder iscoéo das pessoas aci made 60 anos. Então, por que fechar escolas? — questionou Bolsonaro.

No mundo, a pandemia já ultrapassou a marca de 420 mil contaminados, com mais de 18 mil mortes.

Bolsonaro voltou a minimizara doença, chamando novamente de “gripezinha”. Citou que ele próprio, que foi atleta, não deveria ter problema para enfrentar uma eventual contaminação.

—Raros são os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos deidade. Devemos sim éter extremap reocupação em não transmitir o vírus para os outros, em especial aos nossos queridos pais e avós.

Bolsonaro criticou ainda a cobertura da imprensa, afirmando que veículos de comunicação espalharam “a sensação de pavor” e potencializaram um cenário de “histeria”. Bolsonaro alegou que a imprensa baseou-se no alto número de mortos na Itália para projetar uma situação semelhante no Brasil, mas disse que a comparação não faz sentido porque o país tem mais idosos e um clima diferente.

Nos bastidores, a avaliação de interlocutores de Bolsonaro é de que o clima do Brasil possa ajudar as pessoas a resistir aos efeitos do Covid-19. Aliados usam os baixos índices de morte da Austrália — cujo clima é semelhante — para justificar o pensamento de que o Brasil pode passar pela pandemia sem sentir muito os efeitos da doença. A possibilidade de o vírus resistir menos no calor é estudada por cientistas, mas ainda carece de confirmação.

As declarações do presidente em rede nacional foram criticadas por especialistas no combate à pandemia.

—Não se pode colocara economia às custas da vidadas pessoas. Eéqueiss ose faz quando alguém pede para abrir as escolas ou sair de uma quarentena. Na Alemanha, a Angela Merkel afirmou que esteéo momento mais difícil desde a Segunda Guerra, e esta é apostura correta—analisou o coordenador técnico da Sociedade Brasileira de Infectologia, Hélio Bacha.

O infectologista Alberto Chebabo, diretor médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, afirmou que o pronunciamento foi“irresponsável” ecoloca em risco a saúde da população.

—Principalmente avida dos mais pobres e dos mais vulneráveis. Crianças não vão sozinhas para a escola. Crianças têm pais, têm professores. Há toda uma cadeia de transmissão. É um desestímulo à parte da população que tem agido com responsabilidade.

MANDETTA ACOMPANHA

Mais cedo, Mandetta deu declarações contrárias a um fechamento total das atividades no país, num alinhamento prévio ao tom adotado por Bolsonaro.

— Esse travamento absoluto do país para a saúde é péssimo —disse o ministro.

Em isolamento devido ao contágio do novo coronavírus, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, auxiliouo presidente Jair Bolson aron a confecção do conteúdo. Bolsonaro foi aconselhado a orientara manutenção em isolamento apenas pessoas vulneráveis e “liberar” jovens e crianças para avida normal. Há uma preocupação com ambulantes, flanelinhas, caminhoneiros que estão sofrendo os efeitos da paralisação da pandemia diretamente na forma de ganhar dinheiro. Um dos argumentos usados pelo governo reservadamente é que a Itália tem hábitos “fumantes”, o que intensifica o efeito do Covid-19, eque noBr asila situação pode ter menos impacto.

De acordo com aliados, Bolsonaro reagiu também às redes sociais que o estão massacrando ele por causa da falta de emprego. Segundo interlocutores do presidente, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não acompanhou as gravações do pronunciamento.